Annie Ernaux
Annie Ernaux (1940), escritora francesa, recebeu o Nobel de Literatura em 2022 pela coragem e pela precisão clínica com que escreve sobre a própria vida e a memória coletiva. Nasceu em Lillebonne, na Normandia, e cresceu em Yvetot, onde os pais, de origem operária, tinham um café-mercearia. Estudou letras, virou professora e, com isso, trânsfuga de classe, o tema que atravessa toda a obra. Estreou com Les armoires vides (1974), mas encontrou a própria forma em O lugar (1983), sobre o pai, escrito numa linguagem plana, sem enfeite, que ela chama de escrita plana; ganhou o Prêmio Renaudot. Seguiram-se Uma mulher, sobre a mãe, Paixão simples, A vergonha, O acontecimento, relato do aborto clandestino que fez em 1963, levado ao cinema em 2021, e A outra filha, sobre a irmã que morreu antes de ela nascer. Os anos (2008), considerado sua obra-prima, conta a vida de uma mulher e de uma geração francesa de 1941 a 2006 na terceira pessoa, através de fotos, canções e objetos. Também publicou Memória de menina, sobre o verão de 1958, o diário de supermercado Olhe as luzes, meu amor e A escrita como faca, conversa em que explica o próprio método. Define o que faz como uma autossociobiografia.