Luís de Camões

Luís de Camões (c. 1524-1580), poeta português, é o autor de Os Lusíadas e o nome maior da poesia em língua portuguesa. Pouco se sabe com segurança da sua vida: nasceu provavelmente em Lisboa, numa família da pequena nobreza sem fortuna, e teve formação clássica, talvez em Coimbra, embora a passagem pela universidade não esteja documentada. Frequentou a corte de D. João III e, segundo a tradição, amores com damas acima da sua condição o afastaram de Lisboa; serviu como soldado em Ceuta, onde perdeu um olho em combate. De volta a Lisboa, feriu um funcionário do Paço numa briga em 1552 e passou meses preso; perdoado, embarcou em 1553 para a Índia. No Oriente viveu cerca de dezessete anos: participou de expedições militares, compôs em Goa o Auto de Filodemo, teria ocupado em Macau o cargo de provedor dos defuntos e, na viagem de volta, naufragou na foz do rio Mekong, salvando, conta a tradição, o manuscrito da epopeia; o episódio está nas redondilhas Sobre os rios que vão. Em 1567 seguiu para Moçambique, onde o historiador Diogo do Couto o encontrou tão pobre que os amigos lhe juntaram roupa e comida para a viagem ao reino. Chegou a Lisboa em 1570 e em 1572 publicou Os Lusíadas, dez cantos em oitava rima que fazem da viagem de Vasco da Gama à Índia a epopeia de toda a história de Portugal; pelo livro recebeu do rei D. Sebastião uma pequena pensão. Morreu pobre, em Lisboa, pouco depois da derrota de Alcácer-Quibir e às vésperas da união das coroas de Portugal e Espanha. Sua lírica ficou dispersa em manuscritos e só foi reunida nas Rimas (1595); os autos Anfitriões e Filodemo saíram em 1587. O dia tradicionalmente dado como o da sua morte, 10 de junho, é o feriado nacional de Portugal, e o Prêmio Camões, criado por Portugal e Brasil em 1988, leva o seu nome.

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