Ricardo Piglia
Ricardo Piglia (1941-2017), escritor e crítico argentino, é o autor de Respiração artificial, Dinheiro queimado e Alvo noturno. Nasceu em Adrogué, na província de Buenos Aires, e ainda adolescente mudou-se com a família para Mar del Plata, depois da queda de Perón, de quem o pai era partidário; ali começou o diário que manteria a vida inteira. Estudou história na Universidade Nacional de La Plata e, a partir de meados dos anos 1960, trabalhou em editoras de Buenos Aires, onde dirigiu a Serie Negra, coleção que apresentou aos argentinos o romance policial de Dashiell Hammett, Raymond Chandler e David Goodis. Estreou com os contos de La invasión (1967), premiados pela Casa de las Américas, e em Nome falso (1975) misturou ficção e crítica num relato sobre um texto inédito de Roberto Arlt. Respiração artificial (1980), publicado em plena ditadura militar, falava de modo cifrado da violência da história argentina e o tornou conhecido fora do país. Seguiram-se A cidade ausente (1992), em que uma máquina fabrica relatos numa Buenos Aires vigiada, e Dinheiro queimado (1997), sobre um assalto real de 1965, vencedor do Prêmio Planeta e levado ao cinema. Alvo noturno (2010) recebeu o Prêmio Rómulo Gallegos e o Prêmio da Crítica espanhol, e O caminho de Ida (2013) foi o último romance. Nos ensaios de Crítica e ficção, Formas breves e O último leitor pensou Borges, Arlt, Macedonio Fernández e a própria arte de ler. Deu aulas em Harvard e, por muitos anos, em Princeton, de onde se aposentou em 2010 para voltar a Buenos Aires, e em 2015 recebeu o Prêmio Formentor. Doente de esclerose lateral amiotrófica, passou os últimos anos preparando Os diários de Emilio Renzi, três volumes assinados com o seu segundo nome e o sobrenome materno.