A Morte de Ivan Ilitch
Liev Tolstoi
Novela de Liev Tolstói, de 1886: um juiz de carreira adoece depois de uma queda boba e passa os últimos meses entendendo que viveu a vida que esperavam dele.
A história começa pelo fim. Os colegas de tribunal ficam sabendo da morte de Ivan Ilitch e pensam primeiro em quem vai herdar o cargo, e só então Tolstói volta atrás para contar a vida inteira do morto: a carreira correta, o casamento por conveniência, o apartamento novo e a queda ao pendurar uma cortina, que ninguém leva a sério.
O que dói aqui não é a doença, é a mentira em volta dela. Os médicos discutem rim flutuante para não dizer a palavra morte, e a família finge que ele vai melhorar. O único que o trata como quem vai morrer é Guerássim, o criado, e é por isso que ele é o único alívio do livro.
É leitura curta, de uma ou duas sentadas, e costuma ser a porta de entrada em Tolstói para quem acha Guerra e Paz grande demais. Ele escreveu depois da crise religiosa que virou a segunda metade da obra dele.
Em português circula em duas edições de bolso com cerca de 96 páginas: a da Editora 34, com tradução direta do russo de Boris Schnaiderman, e a da Principis.