Almas Mortas

Nikolai Gógol

Tchítchikov desembarca numa cidade do interior com um plano: comprar por quase nada os servos que já morreram mas seguem vivos no papel, porque imposto e garantia acompanham o último censo, não as pessoas.

O romance é a negociação, de fazenda em fazenda, e cada proprietário a quem ele faz a proposta é um retrato: Manílov, que concorda com tudo e não decide nada; Koróbotchka, que desconfia do preço de um defunto; Nozdrióv, que mente por esporte; Sobakévitch, que pechincha alma morta como quem vende gado; e Pliúchkin, que deixa a própria fortuna apodrecer de avareza. Quem conduz é o narrador, que sai do assunto o tempo todo, e é aí que o livro fica melhor.

Antes de começar, o que evita frustração no fim: a primeira parte é completa e fecha com a imagem da troika. A segunda não existe inteira. Gógol a queimou dias antes de morrer, em 1852, e o que sobrou são rascunhos que param no meio de uma cena.

Nesta edição da Editora 34, de 432 páginas, a tradução é de Rubens Figueiredo e parte da edição crítica russa mais recente. O volume traz ainda os rascunhos da segunda parte, quatro textos de 1847 em que Gógol responde à reação ao romance, inéditos em português até então, e um ensaio de Donald Fanger.

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